[Verso 1] Tem fotografia do aniversário, da viagem, da primeira vez. Do vestido escolhido às pressas, do sorriso que a gente fez. Tem retrato de tanta chegada, de quem veio, de quem ficou. Mas ninguém guardou aquele instante em que alguma coisa em mim mudou. [Pré-Refrão] Não havia câmera ligada, nem alguém pra testemunhar. As coisas que mudam uma vida quase nunca avisam que vão chegar. [Refrão] O que ninguém fotografa é o segundo antes de escolher. A coragem chegando baixinho, o medo deixando acontecer. O que ninguém fotografa é quando a gente aprende a soltar, quando perdoa sem esquecer, quando decide continuar. Há tanta vida fora do retrato, tanta história sem revelação. O que aparece cabe numa imagem. O que importa nem sempre cabe na mão. [Verso 2] Não existe foto do silêncio depois de uma verdade aparecer. Nem daquele “eu estava errada” que custou tanto pra dizer. Ninguém registra a madrugada em que um sonho deixou de servir. Nem o instante quase invisível em que outro começou a existir. Tem mudança sem despedida, tem chegada sem celebração. Tem vitória que acontece inteira sem aplauso e sem publicação. [Pré-Refrão 2] Talvez por isso algumas lembranças não precisem provar que são reais. A memória guarda de outro jeito aquilo que a fotografia não traz. [Refrão] O que ninguém fotografa é o segundo antes de escolher. A coragem chegando baixinho, o medo deixando acontecer. O que ninguém fotografa é quando a gente aprende a soltar, quando perdoa sem esquecer, quando decide continuar. Há tanta vida fora do retrato, tanta história sem revelação. O que aparece cabe numa imagem. O que importa nem sempre cabe na mão. [Ponte] Se eu juntasse todos os retratos, ainda faltaria quase tudo: a conversa que mudou meu rumo, a resposta que eu não dei, o abraço que chegou na hora, a porta que eu não atravessei. Um pensamento no meio da noite. Uma certeza pela metade. Nenhuma dessas coisas tem moldura. E ainda assim fizeram a minha história. [Refrão Final] O que ninguém fotografa talvez seja o que fica mais. Os instantes sem testemunha, os pequenos pontos cardeais. Não há retrato da coragem, nem legenda para explicar o momento exato em que uma vida começa devagar a se transformar. [Final — voz e violão] Se um dia abrirem meus álbuns, vão encontrar onde eu estive. Não necessariamente onde eu vivi. [Violão encerra]
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