
[Verso 1] Saí de casa carregando tudo que era meu, Forma, sensação, pensamento — uma mochila que cresceu, Kanzeon me encontrou na poeira da estrada, Com olhos que veem o que a gente não vê de madrugada. "Filho," ela disse, "você tá carregando pedra, Achando que é ouro, que é algo que te herdra, Mas forma não é nada além de vazio dançando, E vazio não é morte — é tudo se transformando." Meu corpo é um rio, minha mente é neblina, Sensação é fumaça que sobe e se ilumina, Percebi que tudo que eu era era só passagem, Cinco agregados soltos — nenhum deixa mensagem. [Refrão] Gate, gate — deixa ir, deixa ir, Pāragate — atravessa pra outro lado, Pārasamgate — além do além, sem retorno, Bodhi svāhā — a sabedoria que ilumina a noite. Forma é vazio, vazio é forma, Não é nada, não é tudo — é a transformação, Não há apego, não há medo, não há eu, Só essa estrada infinita onde a gente se perdeu. --- [Verso 2] Shariputra me perguntou: "Como assim, nada existe?" E Kanzeon respondeu com uma voz que não resiste: "Olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente — tudo vazio, Cor, som, cheiro, sabor, tato — nenhum é refúgio." Você acha que sofre porque perdeu algo real, Mas o sofrimento é ilusão, é um carrossel infernal, Ignorância e morte dançam juntas nessa noite sem fim, Mas quando você entende que tudo é vazio, elas param de vir. Não há causa, não há efeito, não há caminho a seguir, Não há sabedoria pra ganhar, não há nada a cumprir, As Quatro Nobres Verdades desaparecem na névoa, Porque até a verdade é vazia — e isso é a prova. Você não é seu corpo, não é seu pensamento, Não é seu medo, não é seu arrependimento, É só consciência observando a si mesma desaparecer, E nessa morte em vida, você finalmente vai vencer. [Refrão] Gate, gate — deixa ir, deixa ir, Pāragate — atravessa pra outro lado, Pārasamgate — além do além, sem retorno, Bodhi svāhā — a sabedoria que ilumina a noite. Forma é vazio, vazio é forma, Não é nada, não é tudo — é a transformação, Não há apego, não há medo, não há eu, Só essa estrada infinita onde a gente se perdeu. --- [Bridge — spoken Contemplativo] (Voz baixa, quase sussurrada, como uma confissão na escuridão) Você tá pensando que isso é morte, que é desespero, Mas é o contrário — é liberdade, é verdadeiro. Tudo que você vê está conectado, tudo que você toca, Nada existe sozinho — tudo é interdependência que não toca. Você respira o ar que as árvores soltam, Come o sol que as plantas guardam, Pensa com neurônios que vêm do pó da terra, E quando morre, volta pro pó — nada se erra. Não é niilismo, não é vazio vazio, É plenitude dançando, é tudo em equilíbrio, É você entendendo que você é tudo, E tudo é você — e isso é absoluto. O medo some quando você solta o apego, O ego morre quando você vira espelho, Refletindo tudo, não guardando nada, E nessa morte viva, você encontra a estrada. --- [Verso 3] Cheguei na cidade grande com a alma limpa, sem peso, Porque entendi que tudo que eu tinha era só espelho refratado, Kanzeon sussurrou: "Agora você vê, Que o vazio é a forma, e a forma é você." Não há ignorância, não há fim da ignorância, Não há velhice, não há morte — só a dança, Não há sofrimento, não há causa, não há extinção, Não há caminho porque você já é a solução. Os Budas dos três mundos sussurram a mesma verdade: Sabedoria Completa é a única realidade, Meu coração não tem obstáculos, meu peito respira fundo, Distante de todas as ilusões — esse é meu mundo. Não há ganho, não há perda, não há eu nem você, Só essa sabedoria que nos faz vencer, E na noite escura do deserto, finalmente entendi, Que o vazio que eu temia era o lugar onde eu sempre estive. [Refrão Final — Expandido] Gate, gate — deixa ir, deixa ir, Pāragate — atravessa pra outro lado, Pārasamgate — além do além, sem retorno, Bodhi svāhā — a sabedoria que ilumina a noite. Forma é vazio, vazio é forma, Não é nada, não é tudo — é a transformação, Não há apego, não há medo, não há eu, Só essa estrada infinita onde a gente se perdeu. Gate, gate, pāragate, Pārasamgate, bodhi svāhā, Na poeira, na noite, na solidão, A gente finalmente encontra a libertação. --- [Encerramento — Ecoando na Escuridão] (Voz distante, como se desaparecesse na noite) Forma é vazio... Vazio é forma... Tudo que nasce, morre... Tudo que morre, renasce... E no meio disso tudo, a gente finalmente descansa. Gate... gate... pāragate...
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